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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Brasil: Uma História Inconveniente




Escravidão ontem e hoje


O escravismo brasileiro teve inicio com a introdução da economia canavieira, quando Portugal efetivamente tomou posse das terras brasileiras. O contexto histórico da época, que tornava impossível contar com trabalhadores livres, introduziu a mais aviltante forma de exploração do trabalho humano que foi a escravidão.
Em terras brasileiras a população nativa não se submetia ao trabalho assalariado, dada a particularidade de sua cultura de não acumulação, de viver em harmonia com a natureza e também ao fato de, na sociedade indígena, a agricultura ser uma atividade praticada pelas mulheres.Por outro lado a abundancia de terras favorecia a iniciativa privada de particulares. Dessa forma o trabalho compulsório se tornava-se a única alternativa para a exploração da economia canavieira. Também temos que considerar a experiencia portuguesa nas ilhas atlânticas tanto no que se refere ao cultivo da cana-de- açúcar, quanto a exploração do escravo africano.

O sistema escravista se manteve no Brasil por mais de 300 anos. O último país a abolir os escravos, quando o fez, quando se tornou inevitável fazer, não teve o menor interesse em incluir esses indivíduos na sociedade, em criar condições para reparar as consequências de tantos anos de exploração, de negação da humanidade desses sujeitos reduzidos á condição de "peças" de "ferramentas".
Por incrível que pareça quando finalmente começamos a falar em Politicas de Reparações, de Reconhecimento e de Ações Afirmativas, mais de 100 anos depois da "abolição" ainda nos deparamos com reações absurdas e inimagináveis que as caracterizam como uma injustiça social talvez motivadas pelo imaginário do mito da Democracia Racial.

ESCRAVIDÃO ONTEM - OS PÉS E AS MÃOS DOS SENHORES DE ENGENHO

A Necessidade de garantir a posse do território, aliada á perda do monopólio do comércio Oriental, forçaram a coroa portuguesa a buscar uma forma de ocupar e explorar economicamente as terras brasileiras. As condições naturais e a experiencia bem sucedida com o cultivo da cana-de açúcar nas ilhas atlânticas de Açores e Madeira acabaram definindo a implantação da economia açucareira no Brasil colonial.
Aliado às condições naturais favoráveis e ao conhecimento técnico, também devemos frisar que a produção de açúcar foi escolhida pela valorização do produto no mercado europeu.
As primeiras lavouras apareceram nas regiões litorâneas e logo se desenvolveram com destaque nas capitanias de São Vicente e Pernambuco. Para formar as lavouras, os portugueses utilizaram a formação de grandes propriedades de terra denominadas de latifúndio monocultor ou plantation. Essas propriedades também ficaram conhecidas como engenhos, porque, além das plantações, abrigavam as instalações apropriadas e os equipamentos necessários para o refino do açúcar: a moenda, a caldeira e a casa de purgar.
O contexto social da colonização e da superexploração da mão-de-obra pela lavoura canavieira tornava inviável contar com o trabalho dos homens livres. Com terras abundantes, os homens livres poderiam facilmente se apropriar de uma gleba e desenvolver atividades de subsistência. Ou seja, não havia nem incentivo nem necessidade de que a população livre trabalhasse no engenho. Completando o quadro, os portugueses também exploravam o lucrativo de tráfico de escravos negros africanos. E a simples existência do tráfico já constituía um estímulo à utilização desta mão-de-obra nas colônias pertencentes a Portugal.

Em todo o processo de produção, da plantação das mudas até o encaixotamento do açúcar destinado especialmente a Europa, o trabalho fora realizado por escravos. Se num primeiro momento a escravização recaíra sobre os nativos da terra – os indígenas – mais baratos e facilmente capturados, com o tempo, acentuou-se a substituição destes por cativos de origem africana, acima de tudo, pelo fato do tráfico transatlântico proporcionar uma generosa arrecadação aos sujeitos envolvidos e, em conseqüência, à Coroa Portuguesa.

fonte: http://cliopeixoto.wordpress.com/2010/04/07/trafico-de-escravos/


O trabalho realizado pelos escravos africanos nos engenhos de açúcar era árduo e insalubre. As jornadas eram longas e tornavam-se mais exaustivas à medida que se aproximava o período da colheita da cana, uma vez que as tarefas a serem cumpridas aumentavam. Por vezes, o trabalho era interrompido por morosas sessões de tortura e castigos físicos, como forma de dominação e punição por parte do senhor. Uma das técnicas mais utilizadas era encaminhar o escravo ao “tronco”, onde tinha sua cabeça e membros imobilizados e ali ficava por horas e inclusive dias, tornando-o incapaz até de se defender contra a perturbação de insetos. O desgaste era físico e, sobretudo, moral.Os que apresentassem um comportamento tido como incorreto ou aqueles que tentassem fugir para quilombos eram, se recapturados, imediatamente alocados nas moendas ou fornalhas, onde as condições de trabalho eram mais perigosas e precárias. Muitos perdiam suas mãos e braços nas moendas. Normalmente, ao lado destas, ficavam dependurados machados, utilizados pelos feitores para rapidamente decepar o braço preso de alguém, evitando, desta maneira, que o corpo todo fosse tragado pelas engrenagens.

Habitavam a chamada senzala, uma espécie de alojamento geralmente feita de barro, onde se acomodavam e se incomodavam os escravos. Não havia divisões internas e em algumas inexistiam janelas, o que criava um ambiente propício a disseminação de doenças. Lá dentro, as pessoas ficavam amontoadas e acorrentadas, para evitar de se evadirem do local. Muito comum era a presença de um “pelourinho” diante da senzala, tronco ereto com amarras para as mãos, onde os cativos eram açoitados na frente de todos, para servirem de exemplo a não ser seguido.





Fonte: Café história


Senzala da Fazenda União Antiga .
fonte:http://maresdoconhecimento.wordpress.com/2013/01/12/senzala/


Fonte: Blog coisadecearense.blogspot.com