sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A Núbia e o reino de Kush

OS FARAÓS NEGROS



Localização geográfica – Nordeste do Continente Africano, ao sul do Egito, onde atualmente estão o Sudão e o Sudão do Sul.

Nessa região se desenvolveu um grande reino, o reino de Kush, que era considerado um dos lugares mais ricos do mundo pela quantidade de ouro, em seu território, e ainda, ametista, rubi,... e uma civilização tão importante quanto a egípcia.










A História da Núbia é ainda pouco conhecida, devido aos sítios arqueológicos terem sido pouco explorados até hoje mas, sabe-se que os cuxitas mantiveram uma estreita ligação com o Egito. Vendiam ouro, incenso, ébano, óleos, marfim e pedras preciosas, penas de avestruz e peles de leopardo, e compravam do Egito principalmente vasos, pérolas e papiro.


Durante alguns períodos a história dos egípcios e dos cuxitas se misturou porque o Egito conquistou o reino de Kush por um tempo, e depois os cuxitas conquistaram o Egito e fundaram uma dinastia de faraós negros. 


A história da Núbia ainda é pouco conhecida, pois os sítios arqueológicos da região quase não foram escavados. Além disso, a escrita meroíta, desenvolvida na Núbia, não foi decifrada por completo.

Os primeiros tempos



      Por volta de 2000 a.C., comunidades núbias das margens do Nilo se uniram e passaram a obedecer a um único líder, o rei. Surgia, assim, o Reino de Kush, um dos primeiros reinos negro-africanos.

      A história de Kush está estreitamente ligada à do Egito: os arqueólogos encontraram grande número de objetos egípcios (vasos, pérolas e outros) em terras núbias e produtos núbios (marfim, ouro, ébano etc.) em terras egípcias, o que prova o imenso contato comercial entre eles. Sabe-se também que, por volta de 1530 a.C., o Reino de Kush foi conquistado pelo Egito.

 Em 730 a.C., no entanto, ocorreu, que durou até 657 a.C. Os faraós negros usavam como símbolo duas serpentes que se erguiam sobre suas frontes para mostrar que reinavam ao mesmo tempo sobre Kush e o Egito. Esses faraós se consideravam sucessores dos faraós egípcios e também ordenaram a construção de pirâmides para lhes servirem de túmulos.
       Localizado entre a segunda e a sexta catarata, o reino de Kush se distingue dos demais reinos antigos por duas importantes características: o modo como o rei era eleito e o papel da mulher na política.

A escolha do rei



       Os cuxitas escolhiam seu rei de um modo peculiar. Inicialmente, os líderes das comunidades votavam nos candidatos que consideravam mais preparados para o cargo de rei. Em seguida, lançavam sementes ao chão para perguntar ao deus da cidade qual dos eleitos devia ser o escolhido. O desenho que as sementes formavam era considerado uma festa que terminavam com a coroação do novo rei. Assim, enquanto no Egito o filho sucedia o pai, em Kush o rei era escolhido dentre os eleitos pelos líderes da comunidade e pela consulta ao deus da cidade.
Candace, a mulher na política 


       As mulheres ocupavam posições importantes no Reino de Kush. A mãe do rei, por exemplo, recebia o título de senhora de Kush ou candace. Quando seu filho se casava, ela adotava a esposa do filho como sua filha. Assim, influenciava o gorverno, tanto por meio do filho como da nora.
      Por vários vezes, a rainha-mãe ocupou, ela própria, o poder político. Entre as candaces que chegaram ao poder encontra-se Amanishaketo (42-12 a.C.). Uma das poucas vezes que a África antiga aparece na história universal é quando se conta que o povo cuxita, comandado por uma mulher, provavelmente Amanishaketo, enfrentou o poderoso Império Romano.

     Para alguns historiadores africanos, a marcante participação da mulher no governo ajuda a explicar o fato de o Reino de Kush ter longa vida.

Economia -Mineração, artesanato e comércio



    Os cuxitas vendiam para o Egito ouro, incenso, ébano, óleos, marfm, pedra presciosas, penas de avestruz e pele de leopardo. E da terra dos faraós eles compravam, sobretudo, vasos, pérolas e papiro.

A sociedade cuxita



     O pouco que se sabe sobre a sociedade cuxita é que a classe dirigente era formada pelo rei e sua família, pelos nobres, que ocupavam altos cargos do funcionalismo, e pelos sacerdotes. Os agricultores e os criadores de gado, que eram pessoas livres, formavam a maioria da população. As camadas intermediárias eram constituídas por artesãos, comerciantes, militares e pequenos funcionários. Havia ainda os prisioneiros de guerra, que trabalhavam como escrevos por algum tempo.

     Não se sabe ao certo as razões do declínio de Kush. Provavelmente, os cuxitas perderam para outro povo o controle das rotas comerciais, uma das bases de sustentação de seu poder. O que se pode dizer com certeza é que, nos primeiros séculos da Era Cristã, Kush foi empobrecendo; as perâmides de seus reis foram se tornando menores e mais rústicas, e o números de objetos egípcios encontrados em solo cuxita diminuiu bastante. No ano 330, o reino de Kush foi conquistado por outro reino africano, o de Axum, situado no norte da atual Etiópia.

      Nos primeiros tempos de sua história, os núbios viviam da caça, da coleta e da pesca em comunidades espalhadas ao longo do Rio Nilo. Com o tempo, à semelhança dos egípcios, eles aprenderam a represar e distribuir as águas do Nilo, passando, então, a aproveitá-las para a agricultura. Inicialmente, as plantas mais cultivadas pelos núbios foram o trigo, a cevada e o sorgo.


A Religião Cuxita 


Os antigos núbios, assim como os egípcios, eram politeístas, isto é, 

acreditavam em vários deuses, e praticamente cultuavam as mesmas divindades. 
Um mesmo deus podia ter nomes e aparências variadas, conforme a região e o 
período histórico. Alguns destes eram representados com formas humanas. Outros 
com cabeça de animais e corpo de humanos, ou seja, eram antropomorfos. Era 

comum a adoração de animais, dentre eles, podemos citar o gato, o crocodilo, o 
carneiro, o leão, o elefante e outros. Vale ressaltar que alguns animais pré-
históricos como as girafas, por exemplo, e outros mais tardios como galo e cavalos 
não figuravam no panteão animal divinos dos núbios.


Entre as várias divindades núbias podemos citar: 
- Dedun – “Senhor da Núbia”, conhecido como o deus do Sul e fornecedor de 
incenso. Muito venerado pelos núbios. 
- Amon – O deus sol. O deus supremo, representado ora antropomórfico, usando na 
cabeça o modius de altas plumas, ora com cabeça de carneiro. 
- Osíris - Era o juiz dos mortos. Deus da morte, mestre da vida e da eternidade. 
Herói de muitas lendas. 
- Ísis – Deusa querida por todos os núbios, venerada no templo de File. Trazia na 
cabeça um disco e uma cornadura de vaca, está sempre associada a Osíris. 
- Hórus – Representado com cabeça de falcão e corpo de homem. Filho de Osíris e 
Ísis. Deus reinante sobre os vivos. 
 Upuaut- O deus-cão explorador de assiut a Kuban - Bes- O deus senhor de Punt, assim considerado por trazer a deusa Hathor para o convívio dos núbios. 
- Thot- o senhor da cidade de Pnus. 
- Apedemeque – representado com corpo de serpente a emergir de uma grande flor, tendo braços e 
peito humanos e cabeça de leão. Divindade protetora dos exércitos meroítas. Sua imagem foi perfeitamente gravada em uma pilastra do Templo do Leão construído em fins do séc. I a.C., em 
Naga (no atual Sudão).
- Arensnúfis- o deus bem vindo, era adorado em Filas. 
 Mandúlis- era um deus menino e um deus-filho solar que aparecia sob duas formas: de Mandúlis criança e Mandúlis adulto, os dois tinham a aparência de falcões coloridos. 
- Min – Deus protetor dos pesquisadores do ouro 
- Sebiumequer – Deus orientador e antropomorfo com a dupla coroa. Divindade guerreira, por vezes, leontocéfala. 
- Bastet – Deusa protetora das grávidas. Era representada com corpo de mulher e cabeça de gato. Havia crença de que protegia as pessoas das doenças e dos demônios.

Características do Reino de Kush



     Enquanto a capital foi Napata, a principal atividade econômica dos cuxitas era a pecuária: eles criavam cabritos, cabras, cavalos e burros (usados, sobretudo, no transporte de produtos). A riqueza de uma pessoa era medida pelo tamanho de seu rebanho. Em 300 a.C., com a mudança da capital para Méroe, onde as chuvas eram mais regulares, houver aumento da área de terra irrigada e expansão da agricultura. Além de cereais, os cuxitas passaram a cultivar linho, algodão, abóbora e frutas, como tâmara e uva.


Ruinas de Méroe


    O solo cuxita era riquíssimo em metais, como o ouro e o ferro, e pedras preciosas, como o rubi. Escavações recentes em Méroe revelaram templos e muros folheados a ouro. O governantes cuxitas exerciam rígido controle sobre a extreção e o comércio de minérios, garantindo com isso seus rendimentos e poder. O ouro cuxita era usado no comércio com o Egito e com Roma. Quando ao ferro, é provável que Méroe tenha sido o lugar a partir do qual se difundiu o conhecimento da fusão e do manuseio desse metal na África.


pirâmides de Kush




texto e imagens adaptados de:http://historiaemfocosl.blogspot.com.br/2011/12/nubia-e-o-reino-de-kush.html

Para saber mais assista aos vídeos abaixo:






O legado do Império Núbio no mundo antigo 

O mundo antigo, especialmente a África recebeu muita influência do povo cuxita. 
Muitas lendas da África Meridional e Ocidental falam de uma iniciação trazida por homens oriundos do leste, provavelmente, meroítas. Os cuxitas eram habilidosos na metalurgia do ferro, Ainda hoje,
muitos povos africanos continuam derretendo o bronze pelo processo da cera perdida, da mesma forma que era feita no reino de Cuxe. 

Arqueólogos localizam ‘centro de ouro’ de antiga civilização no Rio Nilo






Arqueólogos americanos anunciaram ter encontrado um centro de processamento de ouro e um cemitério antigos às margens do rio Nilo, no norte do Sudão.
As descobertas estão relacionadas ao reino de Kush, que se desenvolveu há mais de quatro mil anos e é tido por estudiosos como uma das primeiras civilizações negras da África.
Foram encontradas mais de 55 pedras que, segundo os cientistas, eram usadas para moer minério com ouro, possibilitando a posterior extração do metal.
Para os cientistas, as descobertas, na região conhecida na antiguidade como Núbia, comprova que o império era maior que o imaginado, chegando mesmo a rivalizar com o Egito Antigo.
As novas escavações mostram que o reino de Kush se estendeu por até 1,2 mil quilômetros ao longo do Nilo.
As descobertas foram feitas na região de Hosh el-Geruf, a cerca de 350 quilômetros da capital sudanesa, Cartum, durante um esforço dos pesquisadores para encontrar e salvar relíquias e documentar ruínas de interesse arqueológico.
Por causa da construção de uma represa, no ano que vem Hosh el-Geruf irá desaparecer nas profundezas de um lago de 160 quilômetros de comprimento por 3 quilômetros de largura, forçando cerca de 50 mil moradores da região a deixar suas casas.
Conquista
“A Núbia era conhecida por seus depósitos de ouro”, disse à agência de notícias National Geographic News o arqueólogo Geoff Emberling, do Instituto de Estudos Orientais da Universidade de Chicago.
Segundo ele, os egípcios conquistaram os kush durante o Império Novo no Egito, entre 1539 a.C. e 1075 a.C., levando “centenas, se não milhares, de quilos de ouro a cada ano” em taxas.
“Mesmo hoje, garimpar ouro é uma atividade tradicional nesta área”, acrescentou seu colega, Bruce Williams.
Perto do centro de processamento de ouro, os arqueólogos descobriram cerca de 90 tumbas.
Adaptado de: http://blogvisao.wordpress.com/2007/06/23/arquelogos-localizam-centro-de-ouro-de-antiga-civilizao-no-rio-nilo/

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