segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A Revolução Russa



A Rússia governada por czares (imperadores) apesar de sua enorme extensão territorial, era um dos países mais pobres e opressores do mundo. No começo do século XX quando outras nações da Europa Ocidental e nos Estados Unidos e Japão viviam plenamente a industrialização, a Rússia vivia ainda em um regime quase feudal com 80% de sua população vivendo no campo, trabalhando para a nobreza russa que era a dona de quase todas as terras.

Os camponeses trabalhavam como animais de carga e viviam esfarrapados e famintos. Num país onde o inverno é extremamente rigoroso (as temperaturas podem chegar a 20° abaixo de zero) os camponeses tentavam se proteger do frio com sapatos feitos com troncos de árvore e se abrigar em cabanas de madeira se alimentando de sopa de cabeça de peixe, repolho e migalhas de pão.
Enquanto isso os nobre em seus palácios de luxo ostentando a ultima moda de Paris e joias caríssimas davam festas famosas pela fartura e desperdício.




Pôster de 1918. Os opressores: o Czar, o homem rico, 
o padre ortodoxo. Embaixo,o povo massacrado.
Em São Petersburgo (na época a capital) e Moscou , as duas principais cidades havia um razoável desenvolvimento industrial. Mas a Indústria em sua maioria pertencia a investidores estrangeiros, o que mostra que a burguesia russa era frágil. Na Europa Ocidental do começo do século XX as lutas sindicais já tinham conseguido que algumas leis de proteção social. Na Rússia , os trabalhadores não tinham amparo da lei. Eram comuns jornadas diárias de 12 horas, sem férias anuais, sem aposentadoria. Nenhum operário europeu ocidental era tão explorado. A policia reprimia cruelmente as greves. Em diversas ocasiões as passeatas foram dissolvidas a bala.




A OPRESSÃO CZARISTA

A Rússia era governada pelos Czares, na época pelo Czar Nicolau II, quase um soberano absolutista . Não havia Parlamento nem Constituição. Era proibida a existência de qualquer partido politico. A imprensa encontrava-se completamente censurada: só podiam sair noticias favoráveis ao governo. Quem ousasse criticar o governo corria o risco de ir para os campos de trabalhos forçados na gelada Sibéria.
Embora os partidos políticos fossem proibidos, existiam partidos clandestinos. O principal partido de oposição era o Partido Social Democrata. Esse partido seguia as ideias do socialismo cientifico de Marx e Engels. Seu objetivo era aproximar-se principalmente dos operários e camponeses, mas também de alguns intelectuais, estudantes e da classe média para difundir as ideias socialistas e organizar a luta do povo russo contra a opressão czarista.

Todas as organizações revolucionarias foram violentamente perseguidas pelo czar, e muitos de seus lideres tiveram que se exilar no exterior. A crise social e politica da Rússia levou o partido a se dividir em dois grupos: os Bolcheviques (que significa representantes da maioria), liderados por vladimir Ilitch ulianov (conhecido como Lenin), mais radicais acreditavam na aliança entre os operários e os camponeses para derrubar o czarismo e implantar o socialismo imediatamente e os Mencheviques (que significa representantes da minoria), liderados por Plekanov e Martov, buscavam uma passagem gradual para o socialismo por meio de uma aliança entre operários, camponeses e a burguesia, defendiam a ideia de que após a revolução burguesa que derrubaria o czar, o capitalismo teria que alcançar pleno desenvolvimento para só então empreender a Revolução socialista.

O Ensaio Geral: a Revolução de 1905 - Domingo Sangrento

A primeira chance de fazer uma revolução se deu em 1905. Um ano antes a Rússia tinha declarado guerra contra o Japão. Os dois países disputavam o controle de algumas áreas banhadas pelo Oceano Pacífico. Nessa guerra o Japão mostrou que já  era um país imperialista capaz de derrotar um europeu. a Rússia, porém, mostrou o quanto era fraca.
 A guerra aumentou as dificuldades do povo russo. Entretanto por incrivel que pareça, uma parcela das pessoas mais humildes acreditava que o czar Nicolau II era um homem bom e preocupado com seu povo e não  conhecia as condições de vida  dos pobres camponeses.
Em janeiro de 1905, milhares de pessoas se juntaram numa passeata. Uma passeata pacífica, liderada por um padre. Velhinhas, mães carregando crianças no colo, operários curvados pelo tempo, retratos enormes do czar Nicolau II. Cantavam  hinos cristãos e desejavam saúde ao czar. Desejavam entregar  ao czar um documento expondo as condições de vida do povo e reivindicando direitos como a jornada de trabalho de  8 horas, salário mínimo e uma Constituição.
 O czar nem quis saber o motivo daquela manifestação e a multidão se defrontou com os soldados  que abriram fogo contra a multidão. Quando os tiros cessaram havia na praça centenas de mortos e milhares de feridos.
Massacre dos trabalhadores reunidos diante do Palácio de inverno, em janeiro de 1905, retratado pelo pintor Vladimirov. 



 





Este episódio, conhecido como Domingo Sangrento, tornou-se o início de um amplo movimento de insurreição que se difundiu por toda a Rússia: as greves aumentaram, os soldados e marinheiros se rebelaram e os camponeses atacaram e queimaram as propriedades da nobreza.
O movimento revolucionário se prolongou até janeiro de 1906. Nesse período, na cidade de São Petersburgo (que passou a se chamar Petrogrado em 1905), os operários, liderados pelo jovem revolucionário Lev Davidocitch Bronstein (conhecido como Trotski), começaram a se organizar em agrupamentos chamados Sovietes (conselhos, em russo). De Petrogrado, a formação dos sovietes se difundiu por toda a Rússia, nas cidades, no campo.
Nesse momento se formaram também várias organizações politicas liberais, destacando-se entre elas o Partido Constitucionalista Democrático, representante da burguesia liberal, que propunha a limitação dos poderes do czar e o aperfeiçoamento de um regime monárquico constitucional, conforme o modelo da Inglaterra.

O czar Nicolau II, pressionado por um lado pela força do movimento revolucionário e, por outro, pela burguesia, decidiu fazer  algumas concessões: convocou eleições para a Duma (Parlamento) e aceitou uma Constituição.

Essa medidas porém, não representaram mudanças significativas no regime, porque o direito de voto se limitava a uma minoria de privilegiados e além disso, quase todos os membros eleitos da Duma pertenciam a alta nobreza.

Em janeiro de 1906, a revolução foi abafada pela repressão ao regime. Os lideres foram presos ou exilados, os sovietes dissolvidos e o movimento revolucionario e extinguiu, permanecendo  em refluxo até 1915. Nesse período embora a Rússia tivesse uma Constituiçao, o país continuava uma monarquia absolutista. A Duma podia ser dissolvida a qualquer momento pelo czar e tinha apenas função consultiva.

O Palácio de Inverno - Museu Hermitage

A Guerra e a Revolução



Em 1914 a Rússia entrou na guerra ao lado da França e da Inglaterra. Desde os primeiros combates ficou evidente que o país não tinha preparo militar  nem equipamentos em condições de enfrentar  os exércitos alemães e austríacos.
A guerra resultou na morte de milhões de soldados russos e provocou uma profunda crise econômica: desorganizou-se a produção agrícola e industrial, o custo de vida subiu assustadoramente enquanto a guerra consumia os recursos financeiros do país. A fome tornava-se o principal inimigo do povo.
Nessas condições as manifestações populares contra o czar  reacenderam. A repressão era violenta no entanto, diante das derrotas na guerra e das ameaças de rebelião popular, uma parte dos membros do governo começou a se opor ao czar.


A Revolução de  Fevereiro (também chamada de Revolução Burguesa)


No mês de fevereiro de 1917, rebeliões populares, greves gerais, revoltas armadas de soldados contra seus comandantes, uma grave crise de abastecimento e a a tuaçao dos sovietes no campo e na cidade criaram uma situaçao revolucionária na Rússia.

A grande liderança que surgiu nesse processo foi o soviete de Petrogrado, controlado pelos Mencheviques e socialistas revolucionários que tinham muita influencia no meio camponês. Nessa época a maior parte da liderança bolchevique estava presa ou exilada.

O soviete de Petrogrado pressionou a Duma (Parlamento) para nomear um novo governo. Diante dos acontecimentos o czar foi obrigado a renunciar. A monarquia czarista foi substituída por uma República Liberal, dirigida pelo menchevique Kerenski que proclamou as liberdades fundamentais e anistiou os presos políticos. Durante o novo governo a crise econômica se agravou e houve o aumento generalizado dos preços.
 A insistência em manter a Rússia na Primeira Guerra gerou violenta oposição liderada pelo partido bolchevique. Soldados e camponeses reivindicavam, paz, terra e pão. A crise social e política anunciava a eclosão de um novo processo revolucionário.


Página do livro 'A Revolução Russa' (Foto: Divulgação)


A Revolução de Outubro - Revolução Proletária ou Vermelha

 
Ao regressar de seu exílio na Suíça, em abril, Vladimir Lenin convenceu os bolcheviques de que era necessário fazer a Revoluçao Socialista e tomar o poder. O programa bolchevique priorizava a distribuição de terras aos camponeses,  a direção das fábricas pelos comitês operários, a autonomia para as nacionalidades oprimidas pelo Império russo, a saída imediata da Rússia da guerra e a entrega do poder aos sovietes.
Em outubro de 1917 os bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno, depuseram o governo de Kerensky e convocaram o II congresso dos sovietes. Os sovietes sob  a liderança de Lênin e Trotski, assumiram o poder. O novo governo decretou importantes medidas revolucionárias:
  • Ainda em 1917 a Rússia retirou-se da Primeira guerra Mundial. Em março do ano seguinte, o novo governo assinou com a Alemanha o Tratado de Brest-Litovsk, pelo qual a Rússia perdia a Polonia, a Bessarábia e os territórios bálticos (Letônia, Estônia, Lituânia e a Finlândia).
  • Estradas de ferro e bancos foram nacionalizados, terras foram divididas e distribuídas entre os camponeses e a produção das industrias passou a ser controlada pelos operários. As medidas revolucionarias do novo governo expropriaram a burguesia e estatizaram as empresas estrangeiras que atuavam no país.
  • Lênin varre os opressores  
  • Foi criado o exército vermelho, comandado por Leon Trotski e encarregado de combater os inimigos da Revolução (oficiais czaristas, aristocratas, burgueses apoiados pelas forças francesas, norte americanas, japonesas e inglesas), que formaram o exército branco.
Entretanto, as dificuldades geradas pela guerra contra os adversários da revolução e os rumos tomados pelo Partido Bolchevique, entre outros fatores em pouco tempo conduziram a Rússia para o totalitarismo e os ideais fraternos de liberdade e igualdade ficaram apenas nos sonhos  idealistas daqueles que acreditam  em um mundo sem classes.

A Europa antes e depois da Grande Guerra
As mudanças no mapa politico pós guerra.
Manifestação na Nevsky Prospekt, São Petersburgo, Julho de 1917, um dos muitos levantamentos das massas que precederam a Revolução
de Outubro na Rússia
 
(Foto: Rheta Louise Childe Dorr)


Esquema Resumo:
Fonte: http://historiacfb.blogspot.com.br/2009/02/901-revolucao-russa.html. Acesso em 20 de janeiro de 2014

A Guerra Civil 
Em 1918 começou uma guerra civil contra a Revolução bolchevique. Do lado contrarrevolucionário estava o exército branco, composto de monarquistas (representando principalmente a aristocracia rural), republicanos liberais e mencheviques apoiados pelos países estrangeiros que temiam a influencia  comunista russa, principalmente Estados Unidos, Grâ Bretanha, França e Japão. Do lado oposto estava o exército vermelho dos bolcheviques, comandado por Trotski.
A situação dos bolcheviques era desesperadora. De um lado as frentes estrangeiras atacavam a Rússia de outro os camponeses médios e ricos descontentes com o novo regime, se recusavam a abastecer as cidades. a fome rondava o país.



Os Camponeses e a Propriedade Rural

Na Rússia havia tradicionalmente três tipos de camponeses: os camponeses ricos (Kulaks) detinham as melhores terras e empregavam camponeses menos favorecidos. Os camponeses médios (seredniaks) em geral trabalhavam a terra com a família. Os camponeses pobres (bedniaks), com uma produção sempre baixa, muitas vezes se viam obrigados a trabalhar em outras propriedades.
                Com a reforma agrária realizada pelos bolcheviques, a terra foi expropriada dos latifundiários e distribuída entre os camponeses, favorecendo principalmente os Kulaks e os seredniaks. Ao redistribuir as terras, os bolcheviques fortaleceram o vinculo dos camponeses com a propriedade, dificultando o projeto socialista de abolir a propriedade privada. Tanto que durante a guerra civil, o boicote no abastecimento promovido pelos camponeses médios e ricos levou o governo a se  apoiar no campesinato pobre para conseguir confiscar os produtos agrícolas.

 O Comunismo de Guerra



Diante da guerra civil e das dificuldades  que ela gerava  Lênin estabeleceu o comunismo de guerra. O programa definiu o confisco das colheitas no campo para abastecer os soldados e a população urbana; a suspensão da liberdade de imprensa, de greve e de associação;  os partidos menchevique e socialista foram proibidos e o czar e sua família  que estavam presos foram executados. 
 A guerra terminou em 1921 com a vitória do exército vermelho e a sobrevivência do Estado socialista. A Rússia soviética , porém estava arruinada. a produção agrícola e industrial havia despencado, as principais cidades tinham se esvaziado, as minas estavam abandonadas e os transportes desmantelados. Enfim embora o exército vermelho tenha vencido a guerra, o preço da vitória  se tornou alto demais.

Para que o regime se mantivesse era preciso promover o desenvolvimento econômico do país, arruinado por tantos anos de guerra. a população apesar de ter apoiado o governo revolucionário, mostrava-se descontente com o rigor com que o regime era conduzido e com a extrema centralização do poder.

A Nova Política Econômica


Diante da grave situação que se revelava em todos os campos, Lenin pôs em prática, em março de 1921 a Nova Política econômica (NEP). De acordo com ela, os camponeses voltaram a comercializar livremente seus excedentes, arrendar terras e contratar empregados assalariados. Também na indústria o governo permitiu o retorno à propriedade privada, no caso de pequenas e médias empresas. Criou-se um sistema bancário para financiar a indústria e as cooperativas.
A partir da Nova Política Econômica, verificou-se um rápido crescimento da URSS, com o desenvolvimento das indústrias, do comércio, da produção agrícola e da população. Essa recuperação econômica foi acompanhada de medidas sociais, como assistência médica  gratuita, licença para as mulheres parturientes, seguro doença e seguro-desemprego, aposentadoria e amplo acesso à educação.
Os resultados da NEP, que vigorou até 1929, foram tão positivos que Lenin acreditou estar no caminho correto para a construção da sociedade socialista na URSS.

O Socialismo Burocrático e a Ditadura Stalinista


As previsões de Lenin entretanto, não se confirmaram. O regime inaugurado em 1917 trazia na sua raiz o germe do totalitarismo, pois se baseava na existência de um partido único que foi se tornando a fonte de todo o poder. Esses traços negativos se efetivaram  depois de 1922, quando Joseph Stalin foi eleito secretário geral do Partido Comunista da União Soviética- PCUS.
Com a morte de Lenim em 1924, iniciou-se uma disputa politica  entre  os dirigentes Trotski e Stalin. Trotski propunha que a União soviética promovesse a Revolução socialista Mundial e Stalin defendia que era necessário primeiro consolidar a revolução no país. Stalin venceu e governou o país como um ditador até 1953.


A ditadura Stalinista começou de fato em 1927 com a  aprovação pelo XV Congresso do Partido Comunista da União Soviética da proposta de Stalin de coletivização forçada da agricultura. O objetivo era desdtruir a classe dos camponeses prósperos (Kulaks) e obrigá-los a aderir às fazendas coletivas. Os que resistiram, recusando-se a entregar suas propriedades e posses para o governo foram vitimas de violenta repressão. Presos, executados, ou deportados para regiões distantes, a classe dos Kulaks foi eliminada da União Soviética.
A repressão se voltou também contra os que no partido denunciavam a burocracia stalinista.Entre 1936 e 1939 o governo montou processos judiciais para punir os supostos traidores da Revolução, e o terror implantou-se no país. Pessoas acusadas ou suspeitas de traição eram levadas para campos de trabalho forçado criados pelo regime. O saldo final foram 5 milhões de presos e cerca de 500 mil executados. Toda a velha guarda bolchevique que dirigiu a Revolução de 1917, tinha sido eliminada.

O governo stalinista entretanto apesar  do sistema ditatorial era aprovado pela população  graças a politica de  culto ao líder  e também as melhoras significativa na vida dos russos . O governo investia pesado para resolver os problemas sociais:
  • construiu casas  e apartamentos para acabar com as favelas;
  • Preparou alojamentos para que não houvesse mendigos dormindo nas praças;
  • Investiu em educação;
  • Investiu em saúde, pela primeira vez os humildes camponeses podiam ser atendidos por médicos;
  • As mulheres soviéticas estudavam e trabalhavam em diversos setores;
  • Os planos econômicos organizaram a mão-de-obra e acabaram com o desemprego.
Com todos esses progressos as pessoas tendiam a se acomodar. A maioria talvez achasse mesmo que aquilo estava acontecendo da melhor maneira possível, e que, portanto, Stálin tinha razão. Por outo lado ninguém podia criticar o governo graças a censura. Havia ainda uma propaganda maciça para convencer aos soviéticos que Stálin era um governante maravilhoso o "guia genial dos povos".
O culto ao líder crescia nas datas oficiais com retratos e hinos . Os operários e camponeses que antes haviam sido sujeitos da história, eram agora apenas objetos. O sujeito era Stálin e o partido.

poster da propaganda stalinista







Fontes de pesquisa:  Schmidt Mario. Nova História Critica. Editora nova geração.
Carmo, Sonia Irene. História Passado Presente VL IV. Atual editora
Projeto Araribá história/ organizadora : Editora Moderna
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